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000382 – 07.02.2014 - Sobre Raios e tempestades no litoral

Quando Escutei a história da morte da vendedora Rosângela Biavati, atingida por um Raio anteontem no Guarujá, lembrei-me de uma tarde em que jogava bola com amigos na praia, ainda durante a adolescência. No meio da diversão começou a desabar um temporal com Raios, e rolou uma discussão. Com a bola parada um dos amigos do grupo insistiu para que saíssemos da praia, mas os outros (incluindo eu) zombaram dele e continuaram a troca de passes. Cada vez que o "medroso" pegava na bola, isolava o lance para longe, na direção da casa onde estávamos hospedados. Fez isso tantas vezes que nos venceu pelo cansaço, e todos decidimos  ir embora. As trovoadas continuaram, e naquele dia ninguém foi atingido por nenhum Raio. É típico do comportamento de crianças e de adolescentes achar que nunca a coisa errada vai acontecer com eles. Aparentemente isso está na origem da fatalidade desta segunda-feira no Guarujá: Rosângela tinha saído do carro para chamar o filho e os sobrinhos que estavam no mar e se recusavam a sair d'água. Mas, ao fazer isso foi ela quem saiu do lugar mais seguro possível para se dirigir ao mais perigoso. A história só não foi mais trágica por que, aparentemente, o Raio que atingiu Rosângela não era dos mais fortes. Segundo o físico Osmar Pinto Jr. do INPE, com quem conversei ontem sobre o episódio, uma Descarga Elétrica Atmosférica – Raio, mais intenso poderia ter eletrocutado não só a vendedora como também as crianças que estavam na água. Evidentemente, quando eu jogava futebol sob  trovoadas na praia eu sabia que estava elevando o risco de ser atingido por um Raio. O que eu não sabia é que nas praias paulistas esse risco é ainda maior do que em outras partes do litoral brasileiro. "No Brasil, Raios tendem a ocorrer com menor frequência na orla, comparados ao interior, mas a orla do Estado de São Paulo é a que tem a maior incidência de Raios", diz Osmar. "Quase todo ano morrem pessoas no litoral  de São Paulo atingidas por Raio." Se estivesse dentro do carro na hora do Raio, certamente Rosângela estaria viva hoje. Um lado comovente da história é que, ao ser  atingida, talvez a vendedora tenha evitado que aquele Raio caísse perto das crianças. A imagem da tragédia que percorreu a internet ontem foi registrada um tanto quanto por acaso pelo fotógrafo Rogério Soares, do jornal "A Tribuna".  Ele fotografava Rosângela e seu marido para uma reportagem sobre outro assunto: carros que trafegam irregularmente nas praias da região. No momento da morte da vendedora, o casal tinha estacionado a caminhonete para recolher um jet-ski na praia. A fotografia de Soares capturou o instante final da Descarga Elétrica Atmosférica - Raio, quando ela já está enfraquecida. Por isso na imagem o Raio aparece todo segmentado. "Nesse momento, dependendo do ângulo da câmera em relação ao tortuoso canal de fluxo do Raio, algumas partes do canal aparecem mais brilhantes do que outras", explica Osmar. A lição que o físico do INPE costuma passar toda vez que fala com um jornalista é que a probabilidade de uma pessoa qualquer morrer atingido por um Raio é maior no Brasil do que em outros lugares. Nosso país é o campeão mundial de eletricidade atmosférica, com cerca de 130 mortes anuais por esse tipo de incidente. Não sei se algum tipo de campanha educativa pode ajudar a alertar as pessoas para esse tipo de risco. Em escolas, certamente, professores de ciências têm em suas aulas uma oportunidade para passa informações básicas sobre o assunto. É difícil mesmo fazer as cabeças duras dos adolescentes aceitarem as coisas, mas creio que professores são aqueles que mais bem sabem lidar com isso. Fonte: http://teoriadetudo.blogfolha.uol.com.br/2014/01/15/sobre-raios-e-tempestades-no-litoral/ Imagem: Dados: ELAT/INPE-NOAA Pontos vermelhos indicam Raios na praia da Enseada, no Guarujá, entre 15 h 30 min e 15 h 40 min quando banhista morreu  eletrocutada  

Postado em 01/02/2014

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