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000377 – 02.02.2014 - Acidentes com Raios no Brasil - La Niña

O jornal O Estado de S.Paulo noticiou em 21 de fevereiro de 2008 que houve 22 mortes por Raios nos primeiros 50 dias de 2008 em oposição a 46 vítimas em todo o ano anterior (2007), sugerindo um aumento do número de acidentes. A maior parte dos acidentes se concentra no Estado de São Paulo. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, informa também que houve aumento em 35% no número de Raios na região sudeste do país em 2008 em relação ao mesmo período de 2007. Já a explicação para o aumento da incidência de Raios está no fenômeno La Niña, que é o esfriamento de águas do Oceano Pacífico. Esse fenômeno climático está aumentando a incidência de Raios no Brasil e a região mais afetada é exatamente a sudeste. De acordo com um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em janeiro, a região sudeste teve 51% mais Descargas Elétricas Atmosféricas - Raios do mesmo mês do ano passado. Isso explica o elevado número de vítimas dos Raios em São Paulo. No Estado de São Paulo as cidades mais atingidas por Raios foram São Caetano, Suzano, Santo André, Ribeirão Pires, Mauá e Guarulhos. O fenômeno “La Niña” acontece a cada sete anos e dura em torno de seis a 18 meses. Durante esse período deve-se esperar o aumento do número de tempestades com Raios e um conseqüente aumento do número de mortes por esse tipo de acidente como já aconteceu em janeiro deste ano. Se a duração do “La Nina” for prolongada, em setembro quando as tempestades com Raios voltam a se tornar mais freqüentes na primavera, o risco de acidentes pode continuar elevado. No ano de 2001 em que o fenômeno “La Niña” marcou presença, o número de mortes por Raio atingiu 73 óbitos, o mais alto até agora no país. Esses números provavelmente são subestimados porque uma parte das mortes ocorre em locais isolados e o atestado de óbito é preenchido colocando-se a parada cardíaca como sendo a causa da morte. As estatísticas brasileiras nessa área ainda estão sendo construídas. Mas, há similitude com a situação descrita nos Estados Unidos. Tal como aqui, considera-se que se subestimam o número de casos. Lá foram notificados 300 casos/ano com 100 mortes, ou seja, uma letalidade (número de mortos em quem foi vítima do acidente) de 33%. Dos sobreviventes, 3/4 ficaram com seqüelas. As mortes ocorrem logo após o acidente por parada do coração ou da respiração. No hemisfério norte as ocorrências são entre maio e setembro, ou seja, nos meses mais quentes quando as pessoas ficam expostas à natureza, praias, etc. No Brasil, os casos ocorridos são entre outubro e março. A maior parte das vezes os acidentes ocorrem no fim da tarde. Dados americanos mostram que antigamente as vítimas eram fazendeiros e marinheiros, mas hoje em dia são adeptos do ecoturismo e atividades esportivas em locais abertos e de maior altitude. Nos Estados Unidos observou-se que 75 % das vítimas estavam em atividades recreativas. No Brasil, as descrições de morte são, em sua grande maioria, de moradores da zona rural, que estavam andando em locais descampados onde a probabilidade de ser atingido é maior do que em cidades relativamente protegidas. Um dos locais onde se relata mais casos de pessoas atingidas por Raios em cidades são campos de futebol ou áreas de lazer extensas. Por isso, a prática de futebol deve ser suspensa, na vigência e tempestades com Raios. Um fato curioso no caso das mortes por Raio é que a causa é realmente uma parada cardio-respiratória, que não passa de evento terminal de tantas outras causas de morte. Porém, o dano ocasionado pelo Raio pode ser decorrente da própria voltagem do relâmpago, do trauma provocado pelo Raio ou pelo excesso de contrações musculares. A maioria das vítimas fica sem respirar e sem batimentos cardíacos, mas consegue recobrar as funções espontaneamente. Um fato ainda misterioso para a ciência médica. Acredita-se que há uma cessação dos movimentos respiratórios e circulatórios por curto espaço de tempo, mas depois disso as funções cerebrais reassumem o comando. Por esse motivo, recomenda-se sempre iniciar manobras de ressuscitação em quem foi atingido por Raio, mesmo que aparente estar morto. Em outros termos, é como se um hipotético “disjuntor caísse” e, alguém o ligasse novamente, restabelecendo a energia no organismo, ou seja, os batimentos cardíacos e os movimentos respiratórios. A comparação de acidentes com Raio daqueles com a rede elétrica mostra que a fonte de energia é direta no Raio e alternada no choque da rede de abastecimento de energia. A magnitude é muito maior no Raio, mas a duração é muito menor. A corrente do Raio pode chegar a 2 bilhões de volts e 200 Amperes, mas a corrente de fluxo é de 0,0001 segundo. Fonte: Isabela Benseñor e Paulo Lotufo – http://ciencia.hsw.uol.com/acidentes-com-raios-no-brasil.htm

Postado em 01/02/2014

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